Nuestro amigo Perfecto E. Cuadrado, me ha enviado, como regalo de solsticio de invierno y año nuevo 2010, un ejemplar del libro de poemas “ODE MARÍTIMA” de Álvaro de Campos, editado por “Alma Azul” en Coimbra.

Voy a transcribir algunos versos y estrofas que me han impresionado. Todo el poemario es una oda a los viajes por mar y los hombres que de una forma u otra tienen relación con el mar. Incluye versos de amor a los marineros y a los piratas descritos como hombres peludos, rudos y con manos callosas. En algunos casos expresa amor sadomasoquista. “Iría a beber en los rugidos de vuestro amor”: Gracias Perfecto.

“…Tema de cantos meus, sangue nas veias da munha inteligência,

vosso seja o laço que me une ao exterior pela estética,

fornecei-me metáforas imagens, literatura,

porque em real verdade, a sério, literalmente,

minhas sensaçoes sao um barco de quilha prò ar,

minha imaginaçao uma âncora meio submersa,

minha ânsia um remo partido,

e a tessitura dos meus nervos uma rede a secar na praia!”

“…E dizías assim, pondo uma mao da cada lado la boca,

fazendo porta-voz das grandes maos curtidas e escuras”

“…O cio sombrio e sádico da estrídula vida marítima.

Eh marinheiros, gajeiros! Eh tripulantes, pilotos!

Navegadores, mareantes, marujos, aventureros!

Eh capitaes de navios! Homens ao leme e em mastros!

Homens que dormen en beliches rudes!

Homens que dormen co’o Perigo a estreitar plas vigias!

Homens que dormen co’o Morte por travesseiro!

Homens que têm tombadinhos, que têm pontes donde olhar

a imensidade imensa do mar imenso!

Eh manipuladores dos guindastes de carga!

Eh amainadores de velas, fogueiros, criados de bordo!

Homens que metem a carga nos poroes!

Homens que enrolam cabos no convés!

Homens que limpam os metais das escotilhas!

Homens do leme! homens das máquinas! homens dos mastros!”

“…Sim, sim, sim…Crucificai-me nas navegaçoes

e as minhas espáduas gozarao a minha cruz!

Atai-me as viagens como a postes

e a sensaçao dos postes entrará pela minha espinha

e eu passarei a senti-los num vasto espasmo passivo!”

“…Piratas, amai-me e odiai-me!”

“…Nuvem de poeira quente anuviando a minha lucidez”

“…Ó meus peludos e rudes heróis da aventura e do crime!

minhas marítimas fieras, maridos da minha imaginaçao!

amantes casuais da obliquidade das minhas sensaçoes!”

“…Iría beber nos rugidos do vosso amor todo o vasto”

“…A minha ansia masoquista em me dar a vossa furia

en ser objecto inerte e sentiente da vossa omnívora crueldade

Dominadores, senhores, imperadores, corcéis!

ah, torturai-me,

rasgai-me e abri-me! ”

“…Às vossas maos calosas, sangrentas e de dedos decepados”

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